Isto é uma tradução humilde feita por mim da entrevista da Linux Magazine com o Eric Hameleers, um dos membros do time principal do Slackware, mais conhecido como Alien BOB. A entrevista origina está em: "O slackware é a distribuição mais antiga que sobreviveu do linux, fundada por Patrick Volkerding em Julho de 1993. Desde o início, um sistema operacional mantido para um propósito minimalista da computação. É reconhecido pela sua velocidade e estabilidade, em parte porque usa o principio de manter os pacotes com o conteúdo o mais simples necessário aonde for possível, ao contrário do essencial, cada pacote do slackware tem também o que é necessário para desenvolvedores. Depois de todo esse tempo ainda é mantido por apenas um homem, mas Patrick Volkerding também tem um grupo leal de voluntários ao lado dele. Talvez isso tenha algo a ver com seu sucesso contínuo. Esta distribuição poupular anunciou a sua nova versão, a 13.0. Há muitas novas implementações nesta nova versão, incluindo um uprade pro KDE4 e o talvez o mais interessante: suporte a processadores com 64bits. Então porque uma das primeiras distribuições foi uma das últimas a lançar suporte a 64 bits oficial? A Linux Magazine falou com Eric Hameleers (conhecido como Alien BOB) sobre o suporte aos 64-bits e porque os usuários deveriam considerar migrar para o Slackware." Christopher Smart: Eric, você poderia por favor se apresentar e nos dizer como você contribui com o Slackware? Eric Hameleers: Eu sou o Eric Hameleers, tenho 48 anos de idade (sim, chocante), nasci e continuo vivendo na Holanda. Eu entrei em contato com este mundo excitante do UNIX quando eu comecei um trabalho à noite para ganhar um dinheiro extra durante meus estudos de Física. Eu nunca tinha realmente considerado uma carreira de Física desde então. Eu tinha uma série de trabalhos indo desde a vendas de suporte técnicas até a administração de sistemas e finalmente consultor de redes. Na IBM foi onde eu terminei trabalhando com uma variedade de Linux'es baseado nos projetos operacionais de suporte. Eu sou casado com minha mulher Ine e tenho um filho, Daan. O Slackware foi um hobby que 'acabou terminando fora do meu controle', eu acho. Ele comsome grande parte do meu tempo livre, mas na minha opinião, vale a pena. Trabalhar no Slackware me dá uma enorme satisfação. Eu conheci o Slackware, quando os desenvolvedores UNIX na companhia onde trabalhava como administrador de sistema começaram a usá-lo (com um kernel 0.9.x, ao mesmo tempo!) Como uma forma de compilação barata usada como destino para plataforma Solaris. Gradualmente, o Slackware encontrou o caminho para os servidores da Intranet de nossa empresa, os servidores de arquivos dos projeto e os firewalls. Eu era um usuário feliz, mas eu só conheci a mecher internamente no Slackware quando a empresa que eu trabalhava foi adquirida pela IBM e a nossa rede ethernet foi ligada a uma tokenring. Finalmente eu me fartei de tanto remendar o rc.inet1 depois de todas as instalações para fornecer suporte ao meu 'tr0' TokenRing (o slackware entendia apenas o 'eth0') e eu contatei o mantenedor do projeto, o Patrick Volkerding. Ele e eu nos dávamos muito bem (apesar de ter levado bastante tempo para ele ter aceitado minhas modificações) e com o tempo passando, outras idéias minhas foram de encontro com o Slackware. Com o Slackware sendo mais e mais minha escolha de desktop, eu comecei a escrever os SlackBuild scripts para os softwares que eu instalava regularmente com o objetivo de trazer do trabalho a estrutura para não têr que refazer tudo de novo e se pegar frustrado por não lembrar como eu fiz a compilação de um pacote anteriormente. Eu tinha o habito de publicar estes pacotes acompanhados dos scripts feitos do servidor da minha casa. Considerando que eu daria algo a todos os usuários do Slackware em troca de não comprar, naqueles tempos, uma cópia do Slackware. Eu acho que me senti compledido a compensar tudo que obtive gratuitamente. Em algum tempo, eu perguntei ao Patrick se ele poderia me dar algum espaço no servidor do Slackware para usar como repositório de pacotes porque minha linha DSL não aguentava a demanda da procura pelas minhas contribuições. Para minha surpresa, ele criou uma conta para mim. Apartir daí tudo evoluiu muito bem porque usar um "slackware.com/~alien" ajuda muito a aumentar sua credibilidade. CS: Você foi essencial na criação de uma versão 64-bits, qual a sua motivação e como você foi atrás desta tarefa? EH: Já havia algumas versão 'não oficiais' do Slackware 64-bits, é claro. Fred Emmott criou a derivação original, o Slamd64, e esta abordagem foi copiada pelo Bluewhite64. Durante estes anos não havia realmente uma pressão para desenvolver uma versão em 64 bits - os hardwares não tinham ainda se acomodado e havia muitos softwares que precisavam de grandes patches para serem compilados na plataforma x86_64. Este era um sinal para mim que deveria haver mais tempo para as coisas ficarem ainda mais maduras. Quando ficou claro que esa abordagem estava superada, até porque grandes produtos binários de software como o Flashplayer da Adobe e o Java da Sun estavam rodando em 64bits, eu comecei a pensar que o tempo de um port oficial havia chegado, então eu decidi que eu deveria ir em frente nesta linha e deixar que ele decidisse baseado no trabalho que eu poderia fazer. Eu havia sido convidado (junto com o Robby Workman e o Alan Hicks, dois dos meus colegas do time principal do Slackware) para visitar São Paulo no Brasil em Agosto de 2008 aonde fariamos uma série de apresentações no anual 'SlackShow'. Isto deixou minha mente ocupada, longe do suporte ao 64-bit, porque eu precisava de tempo para otimizar meu Slackware para demonstrações sobre virtualização e o novo KDE4. Mas logo depois da minha volta, eu tive que realizar uma cirurgia por causa de uma dor que estava me deixando louco e eu achei a mim mesmo descansando em casa por algumas semanas. Isto começou no inicio de Setembro de 2008, e eu decidi iniciar o suporte a 64-bits como uma diversão 'contra' a dor (que atualmente havia ficado bem pior do que antes de ter feito a cirurgia). Pat nunca foi bastante sincero sobre o meu projeto de estimação, acho que ele estava curioso sobre o que eu iria produzir. Em seguida, ele instalou a primeira versão teste em algum dia de Dezembro de 2008 - quando o Slackware 12.2 foi lançado. Ele testou vários parâmetros computacionais do Slackware64 e foi surpreendido imediatamente quando viu a velocidade aumentar entre 20 e 40 por cento para alguns dos pontos de referência, na comparação com o Slackware 32-bit. Isso marcou o momento em que se tornou um projeto da equipe - os outros instalaram também, e alguns mudaram completamente para o Slackware64. Desde esse tempo até Maio de 2009 eu usei o feedback do time do Slackware e a ironia para os bugs óbvios, ao mesmo tempo eu tentava estar sincronizado com o desenvolvimento do slackware atual. Pessoas que começaram a inspecionar os scripts de construção desde 2009 viram mais e mais pacotes com o x86_64 aparecer. Mas nós continuamos mantendo nossa boca fechada para fazer uma espetacular aparição. CS: Quais foram os maiores desafios que você encontrou em portar o Slackware para 64-bit? EH: Sendo rápido, ficou claro que se o Slackware fosse desenvolvidos em duas arquiteturas (x86 e x86_64) em paralelo, haveria o dobro de trabalho requirido por Pat, a menos que eu fizesse algo inteligente. Então eu mudei as prioridades. A nova prioridade era dar a todos os scripts de construir uma nova cara. Decidimos um novo "modelo" para os scripts e depois comecei a adaptá-los um por um, com o objetivo de unificar os scripts para arquiteturas x86 e x86_64. Pat estava cético sobre isso no início, mas no decurso do ciclo de desenvolvimento do 13.0, ele aceitou porque na verdade, ele compensa no final, quando você pode construir os seus ports a partir do mesmo conjunto de fontes. Temos a intenção de levá-lo ainda mais longe, porque as duas outras portabilidades (para S/390 e plataformas ARM) estão convergindo para a árvore mesma idéia também. Outra coisa que eu tive que encarar foi o instalador. Historicamente, o instalador do slackware é feito à mão pelo Pat com a contribuição de outros. Isto significa que não há nada disponível para mim criar um instalador do zero. Com a ajuda de Stuart Winter (que escrfeveu o instalador do ARMedslack anteriormente) e o Pat, nós três fomos atrás de um metódo para criar instaladores identicos para as plataformas x86, x86_64 e ARM. Isto foi crucial pois tornou o instalador estável enquanto nós adicionamos pequenas e grandes novas implementações. Graças aos novos scripts unificados do SlackBuild e ao novo instalador, nosso desenvolvimento paralelo do Slackware correu sem grandes problemas. Posso dizer que os grandes problemas foram no início, eu tive que pôr minha mente a trabalhar sobre como fornecer suporte multilib (a habilidade para rodar softwares 32 bits em um ambiente 64 bits) que foi desenhado potencialmente para fazer os scripts de construção afetando um monte de pacotes. Logo depois eu tiv que aprender como criar um sistema slackware do zero - mas para uma diferente arquitetura. Esta foi particularmente um interessante desafio. No final, eu usei uma combinação do QEMU (feito pelo Fabrice Bellard, um virtualizador de codigo aberto) e as informações que achei sobre 'Cross Linux from Scratch' para criar o boot inicial 64bit. Eu me mantive de fora do projeto não oficial do slackware 64 bits e tornei meu projeto uma implementação 'mais limpa'. Se eu tivesse usado a forma de boot da versão não oficial quase com certeza iria receber um monte de más opiniões e egos mais tarde. Isto tornou meu trabalho difícil (compilar numa maquina virtual é lento!), mas eu acho que tudo terminou com um sólido e bem desenvolvido port pro Slackware. CS: Que coisas estão sendo feitas no 64bit atual do Slackware? O que ainda falta ser finalizado? EH: Para ser honesto, me parece que não sobrou mais o que se fazer especificamente para um port 64bit. O ciclo de desenvolvimento do 13.0 foi extremamente intenso (senão compĺetamente exaustivo), com o objetivo de ver tudo funcionando corretamente de modo que Pat e o time queriam. O que podemos dizer que sobrou não tem a ver especificamente com a nova plataforam, eu acho. Fazer a mudança pro KDE4 e colocar o novo X.Org foram momentos assustadores, porque estes produtos tem um grande impacto sobre a experiência do Slackware. Establizar o X.Org tomou muito mais tempo e mover pro KDE4 e algumas aplicações populares como o K3b e o Koffice teve uma redução significativa de estabilidade e funcionalidade devido a nova portabilidade do Qt4 - a base do KDE4. Houve coisas além no nosso controle mas eu epero ver mais estabililidade e maturidade nesta area na próxima versão do Slackware. Há uma outra coisa que vale a pena comentar sobre o Slackware64. Fora da caixa, ele é um sistema operacional puro de 64bits - não é capaz de rodar ou compilar binários de 32bits. Isto é diferente do slamd64, por exemplo, que tem um suporte ao multilib. Esta decisão foi consciente, parcialmente baseada na visão de que há um sistema 32bit pra quem precisa, mas ao mesmo tempo nós estamos lutando pra fazer um multilib pronto. Apenas alguns poucos passos estão faltando para adicionarmos suporte completo ao multilib no slackware64. Este procedimento está documentado num artigo que eu escrevi no meu wiki. É possível que a próxima versão do Slackware64 seja multilib. CS: O slackware é a distribuição mais antiga do Linux ainda viva, por que demorou tanto tempo para uma versão 64 bits? EH: Na minha opinião, sistemas operacionais de 64bits foram sobreestimados no passado. CS: O que faz o Slackware diferente e como isso contribuiu com seu sucesso? Por que os amantes do Linux usam o Slackware e não outras distribuições? EH: Deixe me ter a oportunidade de dizer porque eu prefiro Slackware do que outras distribuições. Talvez alguns digam eu sou preconceituoso, mas eu usei extensivamente o RedHat, SUSE e o Ubuntu e vou tentar diferenciar. Na minha opinião, os três grandes tem seus méritos, com seus focos na amigabilidade do usuário final e configuração completa. Eles também, todos eles, tem uma necessidade grande de serem aceitos e de serem certificados como uma corporação de entretenimento, e de fato é aonde se usam eles. Nenhum deles acharam o caminho para minha casa, ou em qualquer servidor que eu controlo. Isto é dominio do Slackware. Para mim, a filosofia do Slackware tem um angulo diferente que o separa de todos os outros. Até este dia, o slackware tem um design fiel, voltado para que você experencie o Linux do jeito que os autores dos softwares os desenharam. Isto é adicionado a aplicação de correções o mínimo que possível - preferencialmente por razões de estabilidade e compatibilidade. O pacote de gerenciamento do Slackware (sim, ele tem um, pkgtools!) fica longe do seu caminho não fica forçando resolução de dependencias. É limpo, tem um bem documentado sistema de scripts (escritos em bash ao inves de ruby), permite a você um maior controle sobre as funções do sistema. Slackware não tenta assumir ou antecipar. O instalador continua no modo console, mas usa dialogos, menus e butões, não menos que isto. Não depende de um X durante a instalação, o instalador do slackware é comu uma pedra, sólido, uma coisa que não posso afirmar de outras distribuições. Quando você loga pela primeira vez depois de uma instalação limpa você terminará num console e não num X. Nenhuma automatização que você não deseje foi feita porque você tem o direito de escolher para que o seu linux será usado. Isto vem chocando muitos usuários insuspeitos, mas é o início de uma experiência de aprendizagem. Estou ciente que essas afirmações são vistas como negativas, mas o fato é que elas tornam o Slackware numa ferramenta versátil que é adotada por muitos sistemas. E ainda, como qualquer distribuição moderna do linux, ele reconhece completamente e utiliza seu hardware pela virtude do mesmo kernel, Hal, D-Bus, X.Org e carregamentos que outras distribuições também fazem bem. O slackware não vive na idade da pedra da computação. É forte e próspera. É confiável e rápida. Os testemunhos de usuários 'convertidos' ao Slackware no LinuxQuestions.org e outros fórums mostram como a filosofia do Slackware de fornecer total confiança ao administrador de sistema e manter olhos abertos a pessoas que usaram outras distribuições e terminaram decepcionadas como antes. Isto continua com o influxo de convertidos e é uma das razões que o SLackware não desapareceu no esquecimento. O slackware assume que você é inteligente. Isto é um recurso para as pessoas. E sempre há uma comunidade disponível a responder quaisquer que sejam suas dúvidas - por exemplo o fórum do slackware e os canais de IRC nas redes da Freenode/OFTC. Eu realmente recomendo que você dê uma chance ao Slackware e experiencie algo diferente. Se o slackware for para você, você saberá logo. CS: Como os usuários do Slackware podem ajudar a contribuir no futuro? EH: Desde as primeiras versões deste ano nós temos timo problemas com o X.Org no desenvolvimento do Slackware-current. Donos de usuários com gráficos Intel tiveram uma má experiência com o X. Então, o Robby Workman chamou a comunidade do LinuxQuestions.org para testar uma série de pacotes de versão e combinações e nos fornecer opiniões de uso. A excelente qualidade de respostas que receberamos nos fez solidificar e corrigir os problemas no X.Org. Este exemplo mostra como é importante que as pessoas testem nossas coisas, mesmo compreendendo que isto pode tornar seu computador inútil. Esta é a razão pela qual a árvore de desenvolvimento do 'slackware-current' existe. Mesmo que seja filho de apenas um cérebro humano, nunca seria possível ser o que é sem uma série de opiniões dos usuários. Há ainda uma consideração a ser feita, o fato de as vendas do Slackware serem enviada a apenas uma fonte: Patrick Volkerding. O slackware é essencialmente um software livre - você pode baixa-lo totalmente sem pagar nada - mas na minha opinião, pessoas que realmente gostam do Slackware devem fazer um julgamento e adquirir uma cópia na loja do Slackware se elas puderem pagar por isso. Suas ações serão uam pequena contribuição para a continuação da mais velha distribuição do Linux. Eu posso dizer seguramente isso, porque nenhum de nós é pago pelo nosso trabalho além do Pat. De fato, eu tenho uma inscrição do Slackware e todos os outros do time também. Eu quero que o Slackware tenha futuro, mesmo que seja uma numa ilha onde o foco é a concentração num mar onde todos querem mesmo é ser uma empresa. Para mim , o slackware continua como o canivete suíço do Linux. CS: É muito legal vê-lo e conhecê-lo. Obrigado novamente pelo seu tempo e por todo seu árduo trabalho! EH: O prazer é todo meu, Chris.
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